segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Domingo

Sorver a fumaça de um cigarro, entre um gole e outro de café, na espera, ou esperança, de te encontrar... Ao te ver esqueço os discursos prontos, as palavras não saem apenas o corpo fala. Em êxtase meu corpo procura o seu.
Procuro o calor do teu abraço, teus lábios, o falar sem nada disser, mas tudo contar, desnudar a alma... A urgência de viver perigosamente esse sentimento... É o meu nascer, desligar-me da placenta que me protegia em um mudo árido e opaco, e partir para esse viver, sem compreender, ir tateando cegamente um labirinto escuro e a única coisa que me dá forças de seguir nesse moinho é a certeza, esperança, de ter você aqui junto, corpo, cheiro.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Despedida

A chuva cai sem dar trégua, chego da rua ensopado, sedento por um café... Ou por um momento ao teu lado. Ao escrever essas breves palavras vou me despindo de você... No rádio escuto Maria Rita.. o café desce quente por minha garganta, mostrando-me que ainda estou vivo e sozinho. Meu pequeno apartamento parece um castelo medieval, frio, assustador... Não atendo o telefone, ninguém vai estragar nossa despedida... Você é o meu tormento, minha doce cruz que machuca meu coração, tento entender onde erramos, não há respostas, apenas perguntas... você me disse, em um dia na CCMQ, que o mundo é feito de perguntas e não de respostas... Mas, hoje as perguntas são insuportáveis, necessito de algumas respostas..
Mais um café, Alguns papeis pra ler, e-mails pra responder, telefonemas, pessoas que me esperam... A rua me chama, tenho que ir adeus.. És uma lembrança agora que, com tempo vai ficar cinza, escura, esquecida em um arquivo empoeirado da minha mente... Até voltar em um encontro ao acaso em um café ou teatro..
Guardo as boas lembranças, as músicas, os silêncios, as risadas... Te amo, adeus!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

E-mail recebido de uma amiga professora

Recebi este email de um colega e amigo e gostei..e concordo plenamente com ele

Afinal, o que é educação? Para quê serve a escola? Que tipo de educação queremos?

Se depender do que temos, já podemos responder: Português e Matemática com prioridade de 90%; pessoas que sabem (?) ler e escrver e sabem contar, mas que não tem memória, não tem humanidade, não tem dom, cidadania, arte, cultura, poesia, amor, coração…

Uma sociedade de enormes avanços tecnológicos, mas na qual a moral não acompanha. E isso SE aprenderem a ler, escrever e contar.

Se essa escola, se essa escola fosse minha…

Na minha escola não tem “tempos” divididos minutamente absolutos; não tem apenas salas secas compostas de carteiras enfileiradas e um quadro negro verde ou branco onde os alunos olham pra frente, o professor olha pra eles; o professor fala, os alunos escutam.

Na minha escola não tem provas, “pontos”, números qualificadores e regras absolutas.

Na minha escola não tem professor disso ou daquilo que são responsáveis apenas por passar o conteúdo disso ou daquilo.

Na minha escola as crianças tem aulas de música e, no meio delas, aprendem matemática, porque para ser um músico, para o ritmo, para ler e escrever música, é desejável ou mesmo necessário saber matemática e ter o raciocínio lógico desta.

Na minha escola os alunos produzem um jornal para divulgar notícias do mundo, do seu país, estado, município e bairro e, para isso, aprenderem a ler e escrever, porque para escrever um jornal com notícias de seu interesse, é necessário sabê-lo.

Na minha escola eles também aprendem o Português para poder ler os grandes autores nas rodas de leitura que queiram participar; e para escrever as poesias, contos, crônicas que são divulgadas pela escola, impressas em livros, publicadas nos jornais, murais e outros espaços.

Na minha escola os alunos montam diversas peças de teatro por ano. Para montá-las, aprendem conceitos de História e de outras disciplinas, pois para escrever o texto, têm que sabê-lo; ou enquanto montam um texto já existente, estudam sobre ele.

Na minha escola há vida. Há animais – peixes, coelhos, codornas… – e plantas espalhadas por ela toda e os alunos são resposnáveis por seu bem-estar e saúde.

Na minha escola os alunos são co-responsáveis pela limpeza, pela organização, pela arrumação. São co-responsáveis pela cozinha, por servir aos colegas e arrumar o refeitório.

Na minha escola os alunos fazem experimentos com ações do dia-a-dia, como quando fazem comida. Enquanto isso, aprendem ciência. Eles fazem coleções e recortam textos de tudo o que tem relação com os conteúdos de Ciências que estão à sua votla e expõem por toda a escola e contam e mostram aos colegas o que aprenderam.

Na minha escola os alunos escolhem o esporte que querem fazer e o fazem. Para fazê-lo porém, aprendem a se alimentar direito, a fazer exercícios e a relação que isto tem com a ciência do seu corpo. E aprendem conceitos de ciência e de física para ajudar no seu desempenho; e lêem os jornais de esportes criticamente, compondo resenhas para divulgação nos murais, jornais e rádios da escola.

Na minha escola todos os que tem um dom para uma determinada arte a praticam sempre que querem. Mas para que o dom seja amplamente desenvolvido aprendem a ciência das cores, a matemática das formas, a história da arte.

Na minha escola as crianças lêem jornais e revistas, impressos ou on-line, e discutem a política, a religião, os fatos, atos, destratos de todo o mundo, destrinchando a geografia mundial e todos sos seus desdobramentos. Visualizam no mapa mundial e aprendem a ler o mundo através de outros olhares.

Na minha escola não há sala de aula.

Ha escola de aula, escola de vida.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Diplomas e afins....

Agora jornalismo é para quem quiser, graças a Deus


Por Marcos Zibordi

Ok, sou mais um a escrever sobre o fim da exigência do diploma para jornalistas. Relutei em fazer este artigo, mas a indignação dos profissionais me toca. Estão putíssimos, é fato. Meus alunos, preocupados. Eu adorei. Agora, jornalismo é para quem quer fazer jornalismo, não para quem teve a chance econômica de adquirir o diploma que permite exercer a profissão.

Sem dúvida, as razões de Gilmar Mendes e seus pares são equivocadas – eles pensam que o jornalismo não pode prejudicar a sociedade, opinião realmente inacreditável. Contudo, assusto igualmente com os argumentos dos jornalistas, especialmente um: o diploma garante, no mínimo subsidia, a qualidade do exercício profissional. Será preciso lembrar quantos casos para demonstrar o contrário? Escola Base? A edição do debate Lula-Collor? A sanha de abutres na morte de Isabella Nardoni? Ou o assassinato de “garota Eloá”, promovido por diplomados?

Aliás, menos: é só ler jornais, revistas; acompanhar rádio e televisão; ler os famigerados releases das assessorias de imprensa. Em geral, o jornalismo praticado no Brasil é tecnicamente medíocre, a repetição de si mesmo, quem viu um viu todos. Não falo de ética, compromisso social, não sonho tanto. Penso na proclamação do textozinho padrão, o verbo “disse” após a citação, a malandragem da isenção, da imparcialidade, a incapacidade narrativa, a capacidade de aliciar sem ser sexy. O jornalismo brasileiro ainda não decidiu se pronuncia “risco de vida” ou “risco de morte” e chama o PCC de “quadrilha que age dentro e fora dos presídios”, evidenciando-os com a expressão pomposa que pretendia ocultá-los.

Os jornalistas também esperneiam pela possibilidade de perderem conquistas históricas. Ora, por séculos existimos sem diploma, coisa que imperou no Brasil por somente 40 anos. Não estou negando os nacos arrancados a duras penas das montanhas de dinheiro desse bando de Tio Patinhas, empresários da comunicação. Porém grandes conquistas dos trabalhadores em jornalismo são anteriores à ditadura e à exigência do diploma, tipo a instituição do primeiro piso salarial e da jornada de cinco horas, resultado da greve de 1961, organizada pelo sindicato dos jornalistas de São Paulo - mas quando foi mesmo a última greve dos jornalistas, a mobilização que deu notícia?

Fico me perguntando sobre a nossa situação. Pesquisas demonstram que a profissão figura entre as mais insalubres e, após quarenta anos da “categoria organizada” no Brasil, somos explorados ao extremo, recebemos miséria, trabalhamos pra cacete.

Sabe qual o salário de um jornalista na capital paulista? O piso é de R$ 1.738,25 para quem trabalha cinco horas (duvido que exista um) em jornal ou revista. No interior, rádios e televisões pagam R$ 861,85. Imagino que vários cozinheiros ganhem melhor.

Sobre os presumíveis direitos dos jornalistas, risíveis. Inúmeras redações funcionam com legiões de diplomados “contratados” temporariamente. A Editora Abril, a maior do ramo, ajusta freelancers por exatos dois meses e 29 dias, para não caracterizar vínculo empregatício aos três meses. Surgiu “no meio jornalístico” a expressão de todo escrota: “frila-fixo”. Designa o jornalista temporário que trabalha direto e reto na mesma empresa, às vezes anos, sem nenhum direito.

Para os que defendem seus canudos, duas perguntas: por que vocês aceitaram e aceitam ter aulas, talvez a maioria delas, com professores que não são nem nunca foram jornalistas, inclusive em disciplinas específicas? Não seria mais, digamos assim, lógico, receber formação de gente da área, já que, como diz a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o jornalismo é “uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética”?

Há ainda o argumento da “contratação de qualquer um” pelas empresas de comunicação. Percorri os telejornais e desde a decisão do Supremo Tribunal Federal não assisti a cena clássica, filmada do helicóptero, a fila de candidatos a emprego dobrando a esquina, hordas de bárbaros aspirantes ao jornalismo prestes a invadir as redações, suas pastinhas nervosas no sovaco, o currículo dentro.

Não haverá “invasão”, palavra que amestrados diplomados usam sempre para denegrir a legítima e última solução da gente mais explorada deste país. Amestrados: são conhecidos “no meio jornalístico” pela acrobática alcunha de “focas”. Com o fim da reserva de mercado, lo siento, os penetras com vocação e preparo, sim, concorrerão com nosotros.
Dando aulas em cursinhos populares, inclusive dentro da Universidade de São Paulo (USP), cansei de ouvir lamentações de jovens pobres que sonhavam um dia ser jornalistas, mas não podiam, não poderiam nunca concorrer à vaga na universidade pública, nem financiar a particular. Treta, né? Quanto vale um sonho impedido?

Por fim, relaxem, os cursos de jornalismo sobreviverão, e nem sei se precisarão justificar sua existência. Em geral eles prestam enorme serviço aos patrões formatando o futuro profissional, aulinhas de lide durante meses, exercícios práticos que achatam a criatividade, a sagacidade, o tesão dos alunos com asneiras do tipo “não use adjetivo”, “seja objetivo”, “seja imparcial”. Não duvido nada que permaneçam as picaretagens típicas de sala de aula, aqueles mestres que vivem de um difuso, duvidoso e remoto passado profissional, ou os chatos capazes de criar esta impossibilidade ambiental: o clima de marasmo tenso.

Continuidades à parte, torço agora pelo próximo passo evolutivo: a extinção da obrigatoriedade do diploma de Direito. É praticamente impossível, eu sei, inclusive a Ordem dos Advogados do Brasil apóia a exigência para jornalismo, imagina se mexerão no deles. Mas não custa nada sonhar com o dia em que velhinhos não precisarão mais recorrer a um advogado para pedir revisão de aposentadoria, por exemplo.

Marcos Zibordi é jornalista.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Beatles sempre é bom...

O Ano Beatles

Por Paulo Terron


Show de McCartney e Starr abre o calendário de novidades para o grupo em 2009


Do lado de for a do Radio City Music Hall, em Nova York, a polícia controlava uma pequena multidão. Eram pessoas de meia-idade que se espremiam, com flores e discos nas mãos, esperando que Paul McCartney e Ringo Starr chegassem. Naquela noite gelada de abril os dois tocariam juntos, em evento aberto ao público nos EUA, pela primeira vez desde o lendário show em San Francisco, em 1966 - quando, ao lado dos companheiros John Lennon e George Harrison, ainda atendiam pelo nome The Beatles. O mesmo grupo que volta a ser o centro das atenções em 2009 com shows, relançamentos de discos e estreia no mundo dos ames.

O evento - chamado Change Begins Within - foi organizado pelo cineasta David Lynch e tinha como objetivo arrecadar fundos para a fundação que leva o nome dele. A ideia do diretor de Twin Peaks era conseguir dinheiro para que a meditação transcendental pudesse ser incluída no currículo de escolas públicas dos Estados Unidos. Apesar das quase quatro horas de apresentações musicais (com Eddie Vedder, Ben Harper, Moby e outros) e muita falação, o clima de beatlemania entregava: a maior parte das 6 mil pessoas que enchiam a casa de espetáculos queria mesmo era ver a cozinha dos Beatles voltar a tocar. Depois de sets individuais, McCartney convocou: "Senhoras e senhores... Billy Shears!" Assumindo seu personagem dentro do álbum Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, Ringo subiu ao palco para cantar "With a Little Help from My Friends" ao lado do companheiro (pela primeira vez desde a gravação, em 1967). Com a bateria Ludwig já ocupada por seu representante mais ilustre, o fab two ainda tocou "I Saw Her Standing There" e "Cosmically Conscious".

Você lê esta matéria na íntegra na edição 32, maio/2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

UM BRINDE AOS DIREITOS HUMANOS!

Ivan de Carvalho Junqueira*

Viva!

A semana que se inicia marca o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas através da resolução 217-A (III), a 10 de dezembro de 1948.
É dia de festa (ou, ao menos, deveria), afinal, há 60 anos inaugurou-se inovadora perspectiva no seio das sociedades, na medida em que, a partir dali, ao menos formalmente, todos foram tidos quão iguais perante a lei.
Saíamos de tão doloroso momento, 2.ª Guerra Mundial, pessoas, aliás, milhões delas, transformadas em sabonete, tratadas como mercadoria, exterminadas sob a égide da purificação de “raças”? (ora, só conheço uma: a humana), em meio a insanidade e barbárie nazi-fascista em que negros, judeus, comunistas e homossexuais, gente como a gente, acabaram desconsiderados, impassíveis de reconhecimento.
Como sabido, os direitos humanos são indivisíveis, irrenunciáveis, inalienáveis e imprescritíveis, eis alguns de seus caracteres.
Ao curso da história, inúmeros documentos, tratados e declarações, em âmbito pátrio e alienígena, o ratificaram. Da Magna Charta inglesa, do rei João Sem Terra, aos idos de 1215, à recentemente aprovada Declaração dos Povos Indígenas, de 2007.
Da DUDH, contudo, extraiu-se brilhante característica, aliado àquelas, qual seja: o universalismo, reafirmando, logo ao início que: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação umas as outras com espírito de fraternidade”.
Não obstante contida há séculos, remontando a origem do homem (entendamos bem: mulheres e homens), culminou com verdadeira ruptura de paradigma. Neste diapasão, todos somos seres humanos (desculpe-me pela obviedade, embora necessária) fazendo jus, portanto, à plataforma emancipatória adstrita aos direitos humanos contemporâneos.
No que tange ao estudo dos direitos humanos, em âmbito doutrinário, dividem-nos alguns em gerações. Didaticamente, diz-se de 1.ª geração, os direitos civis e políticos (direito à vida, liberdade, propriedade); de 2.ª geração, os direitos sociais (direito ao trabalho); de 3.ª geração, os direitos difusos e coletivos (direito dos povos, solidariedade, paz, meio ambiente); de 4.ª geração, o direito à democracia, por exemplo. Há quem afirme os de 5.ª geração, a abarcar o direito ao sentimento.
Hoje, mais que um ou outro, tem-se uns e outros, sendo todos, indistintamente, por demais relevantes.
A despeito de toda luta e militância em favor dos direitos humanos, muito há que se fazer. Nada é tão simples. No Brasil e na América Latina sacrificaram-se milhares de vidas, à imposição de sucessivos governos militares, por conseguinte, totalitários. Colhemos os frutos disto, ainda.
Ao presente, conjuntamente à promoção e educação em direitos humanos, assistimos, quase que diariamente, a uma constância de violações. Daí a importância de jamais nos conformarmos, pois, se verdade é que muito caminhamos nesta seara ao decorrer de seis décadas, não caminhamos, porém, o bastante.
Neste momento, inimaginável seria não (re)lembrar alguns episódios, apenas os mais recentes no país: Tikuna (1988), Carandiru (1992), Candelária (1993), Vigário Geral (1993), Yanomamis (1993), Corumbiara (1995), Eldorado dos Carajás (1996)...
Em Robin Island, trancafiaram Nelson Mandela nada menos que 27 anos. Por que?
Violências de toda ordem, não raro, também contra pessoas: Martin Luther King, Wladimir Herzog, Chico Mendes, Dorothy Stang...
Direitos humanos para humanos direitos? Quem já não escutou...
Assistimos, comumente, significativa parcela da população a clamar por mais e mais punição... como num passe de mágica crêem alguns, seduzidos por certos discursos encampados por alguns meios de comunicação que, em se adotando, por suposto, prisões perpétuas quando não capitais e, uma vez reduzida a idade de responsabilização penal para, quem sabe, 16, 15, 14, 13 anos... tudo se resolverá. Será?
“Direitos dos manos”, mais uma dentre tantas outras expressões, extraídas do imaginário coletivo... Difundida, acaba por contribuir, unicamente, em face dos direitos humanos, à sua triste (des)construção cujos reflexos, inclusive, irão de encontro àqueles que o profanaram.
A contrario sensu, falar em direitos humanos é compartilhar o melhor de cada qual de nós, à essência, numa sociedade que – ainda – se pretende justa, fraterna e solidária, alheia a distinções de qualquer natureza.
É acreditar no potencial e no infinito leque de possibilidades, ainda não descobertas, inerente a cada indivíduo, por si ou em comunidade.
Somos hoje, neste planeta que se denomina Terra, cerca de seis bilhões de seres humanos. Mas, para muitos, não há chão nesta terra. Quase invisíveis ao olhar de todos. Ao nosso redor, milhões passam fome, sem teto para morar, sem água para tomar, sem vida (digna) para viver... numa deletéria conjuntura em que, quase sempre, riqueza mercantil sobrepõe-se à humana, onde mais vale o Ter que o Ser.
É também lutar para melhorar o outro, todavia, com o outro e, não, pelo outro.
Sinteticamente, vivenciar os Direitos Humanos, 60 anos depois, é:
Combater nossos preconceitos e discriminações, assegurando a totalidade de direitos do ser que, embora já concebido, ainda está por vir, ao mais idoso;
Lutar, dia a dia, pelo efetivo reconhecimento da igualdade, sem distinção de cor, sexo, credo, idade, opção sexual, afinidade política, filosófica e/ou partidária;
Assegurar a cada pessoa amplo acesso à educação, saúde, trabalho e lazer, para ela e a cada qual dos membros de sua família;
Garantir plena liberdade de expressão e opinião;
Efetivar a todos, irrestrito direito à defesa, pois, somos inocentes até prova em contrário;
Avançar na luta contra a AIDS e pela sustentabilidade ambiental.
É, finalmente...
Reconhecer em cada adolescente e, muito especialmente, no adolescente por nós acolhido, um sujeito de direito, protagonista de sua própria história, sem rótulos nem números, à personalização e humanização de nosso atendimento.
É, em suma, ser idealista.
Parafraseando Hannah Arendt: “A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos”.
Um brinde aos DIREITOS HUMANOS!

* Bacharel em Direito, educador na Fundação CASA/SP e autor dos seguintes livros: “Dos direitos humanos do preso”, “ABC dos direitos humanos” e “Do ato infracional à luz dos direitos humanos”.

sábado, 20 de dezembro de 2008

2009

Bem, chegou o Natal e com isso o fim do ano... Sempre detestei esses dias, calor, consumismo... e uma sensação de ter deixado algo na estrada... Penso em 2008, há um poema do Mário que se chama "Esperança" e, quem sabe possa traduzir o que eu quera falar nesse momento, se tu não sabes de qual o poeme estou falando... procure.... o google te ajuda, ele faz o serviço sujo por ti...
Corri muito em 2008, deixei cafés, chás.... peço desculpa as pessoas que me esperaram em vão... Aos convites que não respondi, as pessoas que não pude conhecer... Aos amigos abandonados... A vida, aos bons momentos que deixei de viver... Quero deixar o tempo pra lá... deixar o relógio em 2008... E, em 2009 ter calma... tomar um café com uma pessoa maravilhosa... ter uma boa conversa sobre qualquer assunto... E, caminhar sem destino... Ver o que acontece ao meu lado... Prestar mais atenção...
Eu sei, sou um sonhador, mas fazer o que...
Feliz 2009!